Os segredos da Montagem cinematográfica
O espectador de cinema menos atento raramente imagina que a montagem de um filme possa ter um papel fundamental para o sucesso da narrativa cinematográfica da obra. Enquanto muitos atores e diretores de cinema são conhecidos e reconhecidos do grande público, o montador muitas vezes passa despercebido. Mas o bom editor de imagem vai muito além de “cortar e colar” e pode influenciar a música, as filmagens e até mesmo o roteiro final de um longa. É isso que mostra Daniel Rezende, montador de Cidade de Deus e Tropa de Elite, entrevistado do programa Sala de Cinema que vai ao ar no dia 30, às 22h. Não perca!
Daniel Rezende começou na publicidade, trabalhando com edição de comerciais para TV na produtora O2, de Fernando Meirelles. Rezende dirigiu comerciais para Meirelles durante três anos, e o diretor confiou na afinidade entre os dois para convidá-lo para a montagem de Cidade de Deus. Rezende reconhece que não tinha experiência alguma com a montagem de cinema e explica as diferenças e semelhanças entre a edição de comerciais e de longas-metragens. Segundo ele, a primeira etapa é muito semelhante, pois o montador de cinema vai trabalhando em cima de cenas isoladamente. Mas há etapas posteriores na edição de cinema, que não aparecem na publicidade, que têm a ver com colocar o filme na ordem do roteiro – ou até mesmo alterar completamente a ordem narrativa do filme como havia sido elaborada no roteiro inicial.
Foi o caso da montagem de Tropa de Elite. Por Cidade de Deus – e uma montagem ágil e “adrenalizada” – Daniel Rezende foi até mesmo indicado ao Oscar. Mas seu grande trunfo cinematográfico veio em Tropa, de José Padilha. A percepção de Rezende ajudou o cineasta a enxergar uma nova forma de contar a história do filme, que foi alterado na ilha de edição. Como se sabe, Padilha iria narrar as histórias do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar através das experiências vividas por dois novatos, forma narrativa também escolhida pelo livro do qual o roteiro foi adaptado. Daniel Rezende percebeu que o filme ganharia muito mais força se fosse narrado da perspectiva do Capitão Nascimento, comandante do Bope. Propôs a ideia a Padilha, e a mudança foi uma das responsáveis pelo grande sucesso nacional e internacional do longa-metragem.
O jovem montador também é responsável por trabalhos importantes como Diários de Motocicletas, de Walter Salles, O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, e Narradores de Javé, de Eliane Caffé. Em Ensaio sobre a cegueira voltou a trabalhar com Fernando Meirelles, e lançou mão de recursos fotográficos para atingir a ideia do diretor de que a sensação de cegueira branca e as metáforas do livro perpassassem todo o processo de filmagem e de edição do filme.
Isso é possível na chamada “montagem aberta”, quando o montador tem acesso ao filme mesmo antes das filmagens e pode opinar em alterações de roteiros e condições especiais de filmagem que possam adicionar qualidade à montagem. Para Rezende, como na música, na montagem é tudo uma questão de ritmo: o arco narrativo do filme precisa de altos e baixos com durações precisas, sem tempos a mais ou a menos, para que o espectador se sinta “embalado” na fruição fílmica e experiência cinematográfica.
Canal: Sesc tv
Programa: Sala de Cinema
Daniel Rezende
Dia 30/12, às 22h
Reapresentaçãos: dia 31/12, às 2h; 1/1, às 20h; 2/1, às 4h; e dia 3/1, à 0h.
Classificação Indicativa: 16 anos
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Posted by TAL2 Date: terça-feira, dezembro 28, 2010
Categories: América Latina, Associados / Asociados, audiovisual, Brasil, cinema, cultura, Documentários / documentales, tv
Tags: Cao Hamburger, Cidade de Deus, Daniel Rezende, Diários de Motocicletas, edição, Eliane Caffé, Fernando Meirelles, filmagem, filme, Montagem, Narradores de Javé, O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, recursos fotográficos, sesc tv, Tropa de Elite, Walter Salles
COMEÇA HOJE A 13ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
Mostra Tiradentes
Um panorama inédito do cinema brasileiro contemporâneo em longas e curtas será apresentado ao público nas telas e nos debates da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece a partir de amanhã e vai até o dia 30 de janeiro na cidade histórica mineira de Tiradentes. A temática central desta edição é “Paradoxos do Contemporâneo”, que irá pautar a programação de filmes, os debates e seminário, com a proposta de gerar uma reflexão sobre os variados perfis de realizadores e gêneros que compõem o complexo painel da produção audiovisual atual.
Ao todo, serão exibidos 128 filmes, sendo 29 longas e 99 curtas, além da realização de 19 encontros com a crítica, o diretor e o público, que discutirão a programação de curtas e longas, e três debates mais amplos, que buscarão abordar a temática da mostra deste ano e seu homenageado.
O diretor cearense Karim Aïnouz foi o escolhido para receber a homenagem desta edição, por representar o contemporâneo em movimento e estar em processo de produção de um novo filme que reflete essa diversidade de perguntas, gêneros e lugares. Nascido no Ceará, de ascendência argelina, e formado nos EUA, o diretor Karim Aïnouz formou-se bacharel em arquitetura e urbanismo pela Universidade de Brasília, tem mestrado em teoria e história do cinema pela New York University, foi aluno do Whitney Museum Independent Study Program, também em Nova York, e artista residente no Banff Centre for the Arts (Canadá), no Downtown Television Center e Film/Video Arts (ambos em Nova York).
Colaborou e trabalhou com diversos realizadores, como Walter Salles, Sérgio Machado, Marcelo Gomes, Todd Haynes e Emir Kusturica. Estreou em longas-metragens em 2002, com Madame Satã (selecionado para o Festival de Cannes e premiado nos festivais de Buenos Aires, Chicago, Havana e Toronto, entre outros) e em 2006 lançou seu segundo longa, O Céu de Suely, com o qual ganhou os prêmios de melhor filme e melhor diretor no Festival do Rio. Seu mais recente filme, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, realizado em parceria com o diretor Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) e selecionado para o Festival de Veneza, abre amanhã a 13ª Mostra de Tiradentes, às 21h, no Cine-Tenda.
Informação: www.mostratiradentes.com.br
Posted by TAL Date: sexta-feira, janeiro 22, 2010
Categories: Brasil, Evento, Festivais
Tags: 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, América Latina, audiovisual, cortometraje, Emir Kusturica, festival, Karim Aïnouz, largometraje, Madame Satã, Marcelo Gomes, Paradoxos do Contemporâneo, produção independente, produción independiente, Sérgio Machado, Todd Haynes, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Walter Salles

